Ivan Barasnevicius realiza workshops sobre livro de Jazz em Portugal

02.11.2009 - 10:11

Bacharel em guitarra, o músico Ivan Barasnevicius lançou um completo método sobre Jazz - Harmonia e Improvisação e resolveu ir dar uma volta na terra de nossos descobridores, para mostrar e realizar dois workshops em escolas de música, no Porto e Lisboa.          

Aproveitámos a ida dele para saber um pouco da receptividade e interesse do músico português sobre esse tipo de assunto.


Palco Principal - Por que você resolveu ir para Portugal lançar seu livro?

Ivan Barasneviscius - Principalmente por existirem pouquíssimos lançamentos sobre harmonia e improvisação em português, que buscam tratar o assunto de forma direta, tanto no Brasil quanto em Portugal. Assim, procurei divulgar o meu trabalho em faculdades e escolas de música portuguesas, por acreditar que este trabalho pode ser bastante útil também nestes lugares. Além disso, é inevitável comentar o quanto foi fantástico conhecer e tocar em Portugal.


PP - Devido à mesma língua, foi fácil se comunicar com os estudantes e músicos de lá?

IB - Não senti grande dificuldade na comunicação com os estudantes e músicos. Provavelmente isso se deve ao fato de alguns livros e métodos serem muito conhecidos, tanto aqui quanto por lá, tais como o "Advancing Guitarist", de Mick Goodrick, ou o "Omnibook", com as transcrições de melodias e solos feitos por Charlie Parker ou ainda os métodos escritos por Nelson Faria. 


PP - Nos locais em que você esteve, a metodologia e ensino deste tipo de assunto são parecidos com os nossos?

IB - Em minha opinião, existem poucas diferenças entre a estruturação dos cursos de música brasileiros e portugueses. Consiste no estudo das escalas, arpejos, improvisação, leitura, contato com equipamentos e tecnologias musicais... Embora algumas referências bibliográficas sejam diferentes, os parâmetros a serem seguidos não mudam muito.           


PP - E o que mais chamou a sua atenção durante as aulas? O que mais estudam alunos de lá?        

IB - Algo sensacional foi a receptividade calorosa dos músicos e estudantes presentes aos eventos onde toquei. Pessoas interessadas no estudo de harmonia e improvisação em diversos instrumentos estiveram no evento. Com relação ao que os alunos estudam por lá, de uma maneira geral, as escolas que oferecem cursos de guitarra seguem o padrão da "guitarra jazz". Embora exista uma demanda significativa de alunos interessados em aprender rock, as escolas de música portuguesas tendem a ser mais tradicionalistas neste ponto, com raras exceções. 


PP - Aqui no Brasil as escolas basicamente seguem um modelo mais livre e prático de aulas, tal como nos USA. Como isso funciona em Portugal?

IB - As escolas de música oferecem cursos livres em formato bastante parecido com os encontrados por aqui. Não tive contato com todas as metodologias utilizadas por lá - isso seria impossível em tão pouco tempo -, porém esta forma mais pragmática de ensino de música me parece bastante difundida em Portugal. As escolas e faculdades de música visitadas possuem estrutura bastante parecida com as nossas, porém é possível notar uma procura maior por instrumentos e cursos de música erudita, principalmente em escolas livres, o que praticamente inexiste atualmente por aqui neste tipo de estabelecimento de ensino. 


PP – Os músicos brasileiros têm uma nítida e grande influencia do jazz norte americano. Como é isso em Portugal? O jazz Europeu mais aberto e livre tem grande aceitação lá?

IB - Pude observar em músicos com os quais toquei ou tive contato por lá ambas as influências. Porém, o que me parece evidente é que, no Brasil, a cena do jazz europeu possui pouca ou nenhuma divulgação, sendo algo muito mais restrito aos estudiosos do assunto que possuem grande profundidade nas suas pesquisas, ao contrário do que se observa por lá. Porém, chamou bastante a minha atenção, por exemplo, o fato de alguns músicos por lá terem como referência a cena musical do Brasil (mais especificamente a de São Paulo), tanto no rock como no jazz. 


PP - Você tem planos de visitar outros países que falam português para lançar seu livro?

IB - Sem dúvida, pretendo entrar em contato com escolas e universidades de música de outros países da comunidade lusófona para divulgar o meu trabalho, sem dúvida.

Demma K

 

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