Grupo Tem Galega no Samba atua amanhã em São Paulo

22.05.2009 - 03:05

O grupo Tem Galega no Samba atua amanhã, a partir das 13h00, no Rosalina, em São Paulo.

Esse bem humorado grupo paulistano, formado por ótimos músicos e também amantes do mais famoso ritmo brasileiro - o samba -, se apresenta com muita freqüência em diversos locais, festas e aonde tiver gente que goste dos bons sambas de Cartola, Clara Nunes, Adoniran Barbosa, entre outros mais.

Conversámos com Anamaria Leme, a animada vocalista do «Galegas». Ela nos contou um pouco desta paixão pelo samba de raiz e, também, sobre os novos planos que o grupo tem em mente. Confiram.


Palco Principal - O Tem Galega no Samba é um grupo que se apresenta com freqüência no circuito paulistano. Como surgiu? 

Anamaria Leme - O «Galegas» surgiu há mais ou menos oito anos, fruto da vontade de amigos de muitos anos, que queriam fazer um som de qualidade. Nós queríamos poder tocar o repertório de que gostávamos de verdade, sem a preocupação de que esse mesmo repertório fosse exatamente o que o público queria ouvir, ou o que as casas procurassem. Queríamos tocam o que fizesse sentido e nos desse prazer. Para nossa surpresa e felicidade, hoje em dia o repertório é o carro-chefe do grupo. Percebemos que havia uma lacuna muito grande no mercado neste sentido. Então, foi unir o útil ao agradável. Apresentamo-nos semanalmente, geralmente em São Paulo, tanto em bares, shows, quanto em festas fechadas.


PP - Samba antigo e de raiz é uma preferência no grupo. Porquê? 

AML - Porque são lindos! Harmonicamente, os sambas são muito bem construídos, as melodias são fortes e maravilhosas, a poesia é rica, fala do povo brasileiro e de seu comportamento, são uma foto de nós mesmos. Trazem um humor peculiar. Veja o Adoniran: "E você, Beleza, o que é que você trouxe? Arroz com feijão e um torresmo à milanesa, da minha Tereza" (quer miséria maior do que um "torresmo à milanesa"??); ou esse "retrato", cantado por Clara Nunes em música de Wilson Moreira e Nei Lopes: "Na tina vovó lavou a roupa que mamãe vestiu quando foi batizada. E mamãe quando era menina teve que passar muita fumaça e calor no ferro de engomar", que em um parágrafo ilustra um povo trabalhador, sem preguiça,  com fé e caprichoso. Ou o Paulinho da Viola, com sua crítica forte, envolta em suave melodia: "Vejo o samba ser vendido, o poeta esquecido, o seu verdadeiro autor!! Eu estou necessitado, mas meu samba encabulado eu não vendo não senhor!..."  É um repertório que me dá orgulho de ser brasileira. 

 
PP - E sobre os novos compositores de samba, tem alguém que vocês interpretem? 

AML - Ainda não. Mas é uma meta para este ano. Temos nos reunido e debatido muito sobre este assunto. Achamos que está chegando a hora de colocarmos no repertório músicas inéditas de compositores novos. Tem muita gente boa por aí. O pessoal do Samba da Vela, por exemplo; os novos compositores das escolas de samba, e outros. Também estamos compondo e, em breve, o repertório terá novidades. Eu sou formada em Letras, sempre gostei de escrever. Resolvi tomar coragem agora e mostrar ao pessoal as letras. Os meninos compõem músicas lindas, são competentes. Já fazemos algumas músicas do Moacir Luz, lá do Rio, que é de uma geração já mais nova do que Paulinho da Viola. Também tem músicas do Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta, também do Rio, que são mais jovens ainda.
 


PP - E quem organiza as musicas e o repertório? 

AML - É um trabalho conjunto, mas, na maioria das vezes, eu, a Carmola (Carmen Adário, cantora) e o Remo (Remo Pellegrini, violonista, cavaquinista e cantor). O Pedro (Pedro Consorte, percussionista) o Adriano Nunes (violonista) e o Thiago Sonho (percussionista) também elegem algumas canções. Tentamos seguir uma linha de repertório, conectando as músicas pelo compositor ou pelo estilo. Mas sempre tem a questão da identidade. Cada um canta as que mais gosta. 
 


PP - Como são feitos os arranjos? 

AML - Lá no comecinho, o Tem Galegas no Samba começou a tocar em festas (ainda nem tinha esse nome, que foi um presente do Washington Araújo, jornalista). Qualquer acontecimento que havia, a gente inventava uma roda de samba para comemorar. Aos poucos, os arranjos foram acontecendo naturalmente, as dinâmicas aparecendo, os breques, a supressão de alguns instrumentos em determinados momentos, deixando outros em evidência, etc. Depois passamos a tocar nos bares e festas particulares, sendo contratados. Agora resolvemos alçar um vôo maior. Estamos formalizando (escrevendo) os arranjos que já haviam acontecido naturalmente, melhorando-os, repensando-os. 


PP - E os planos de gravar um trabalho? 

AML - Temos sim, o tal "vôo maior" inclui a gravação de um CD. Atualmente, estamos levantando o repertório, arranjando e logo mais vamos para o estúdio. A pré-produção é tão importante quanto ir para o estúdio. Ainda não há previsão de lançamento, mas, com certeza, divulgaremos aqui no Palco Principal Brasil.


PP - Quais os próximos shows do grupo?

AML - Amanhã, a partir das 13h00, vamos tocar na Feijoada do Rosalina (um restaurante delicioso que fica na Rua Américo Brasiliense, 935, Santo Amaro, SP). No dia 06 de Junho, às 14h00, tocaremos no Magnólia Villa Bar, na Lapa, também em SP. Temos ainda algumas festas fechadas, que estão prometendo ser bem animadas também!

Ouça aqui algumas músicas do Galegas do Samba:


Demma K.

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