No mundo das seis cordas, ainda são poucas as muheres brasileiras que se aventuram. A paulista Gabriela Gonzalez é uma delas. Corajosa, essa garota tem um longo e promissor futuro. Depois de um início roqueiro, ela mergulhou fundo no mundo do jazz e música brasileira instrumental.
Gabriela atua sempre num seleto circuito, onde apenas músicos experientes e exigentes estão. Sua coragem e determinação são fundamentais para ter esse êxito. Sempre muito sorridente e simpática, respondeu e deu dicas à equipe do Palco Principal Brasil.
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Palco Principal - Você começou tocando rock e blues na guitarra e, só depois, mergulhou na música brasileira. Fale-nos um pouco da sua trajetória musical.
Gabriela Gonzalez - Eu comecei a tocar quando tinha 14 anos, influenciada pela minha paixão por heavy metal. Quando comecei a ter aulas de guitarra, passei a gostar de blues e rock dos anos 70. Quando tinha 22 anos, entrei na U.L.M. Tom Jobim (Universidade Livre de Música) e tive o primeiro contato com jazz e música brasileira instrumental. A partir daí, comecei a trabalhar apenas com música (dando aulas) e a querer tocar e ouvir jazz.
PP - Quais as maiores dificuldades que você passou até conseguir dominar temas de jazz e musica brasileira?
GG - A pegada é bem diferente. O jazz é mais sutil. Os timbres do instrumento são bem distintos entre um estilo e outro. Para mim, o mais difícil foi não ter nenhum conhecimento de harmonia.
PP - E, por ser mulher, já enfrentou algum problema de preconceitos, já que a maioria dos guitarristas são homens?
GG - Não. Hoje em dia existem muitas mulheres que tocam. Acho que o preconceito para com mulheres instrumentistas é coisa do passado.
PP - Suas composições têm uma original atmosfera de jazz fusion. Como começa estruturando uma composição?
GG - Em primeiro lugar, penso na melodia. A opção por determinados caminhos harmônicos podem mudar o desenvolvimento de uma melodia. Eu me preocupo muito em produzir algo original, mas não é fácil, pois toda idéia sempre surge de algo, mesmo que inconsciente. Acho que a composição tem alma e vontade própria. Mesmo sendo autora das minhas músicas, nem sempre consigo mudá-las. Na verdade, não me sinto dona das minhas próprias composições, mas tenho planos de lançar um álbum solo em breve.
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PP - Regularmente tem tocado em diversos bares na capital paulista. O que ainda falta para melhorar a qualidade de trabalho do músico da noite?
GG - Eu tenho visto muitos músicos tocando cada vez melhor. A melhoria das condições de trabalho do músico depende de uma mudança de pensamento e valores, não só do empregador (donos de casas noturnas e bares), mas do público e, também, do próprio músico.
PP - Fale um pouco sobre sua experiência didática, já que tem lecionado em muitas escolas, tem um método lançado e ainda é colunista de algumas revistas de música...
GG - Eu dou aula de guitarra e violão há 14 anos. Possuo um método voltado para Harmonia e Improvisação, publicado por três anos na revista Play Music. Eu tiro xerox das matérias, encaderno e transformo o material numa apostila. Mas eu não acredito na obrigatoriedade em se seguir um método nas aulas. Acho que as pessoas são diferentes quanto a objetivos e aptidões. Uma boa forma de se ensinar música é partir do que o aluno já sabe ou já toca. Podemos ensinar muita coisa com músicas relativamente simples. Escrevo há dois anos uma coluna mensal sobre leitura de partitura para guitarristas na revista Cover Guitarra, mas o meu método ainda está inacabado, apesar de um tanto adiantado.
PP - E Qual seu atual setup?
GG - As guitarras são Gibson modelo ES135, Aria Pro modelo 335 com pick ups Seymour Duncan e uma Yamaha maciça. Amplificadores Fender modelos Pro Rock 700 e Frontman e ainda um Pré valvulado da Pré Sonus Pedais Boss digital delay, over drive e phaser, Ibanez Tube Screamer e Dunlop wah-wah.

PP - Deixe alguns conselhos às outras mulheres que queiram se aventurar no mundo das seis cordas como você?
GG - Não tem coisa melhor no mundo que tocar!
Ouça aqui algumas músicas da Gabriela Gonzalez.
Demma K.