Formada por quatro jovens músicos do sul do Brasil, a banda Feizer produz um som que pode ser definido como um rock bem atual, sem frescuras e bem tocado.

Ao contrário da maioria dos grupos de hard rock, que acabam sempre cantando em inglês, a banda Feizer optou por explorar a nossa língua, para que assim todos entendam bem a sua mensagem.
O grupo que lançou, em exclusivo, a música Sobreviver em sua página no Palco Principal, se prepara agora para o novo CD, que vem em breve. E ainda muitos shows...
A equipe do Palco Principal Brasil conversou com esse promissor grupo brasileiro. Eles nos passaram ricas informações sobre a história da banda, detalhes precisos do processo de gravação em estúdio, bem como dos instrumentos dos seus integrantes. Confiram.
Palco Principal - Como começou a banda? Como surgiu o nome Feizer?
Banda Feizer - Ela surgiu com base em um trabalho anterior, a Water Flaming. Esta banda foi criada em 1999 e era composta, em grande parte de sua trajetória, por Igor, Pedro e Felipe. Seu repertório era feito de canções próprias em inglês, bem marcadas pelo hard rock dos anos 80, e de covers clássicos do estilo – como Bon Jovi, Guns’n’Roses, Van Halen, entre outros. A necessidade de atingir um público mais amplo fez a banda trocar, primeiro de nome, depois de idioma, e, na seqüência, renovar parte de seus integrantes. A entrada de Alan foi crucial para a modelagem do estilo da banda. O nome Feizer foi sugerido por ele e suas composições logo reforçaram o repertório. Quanto ao nome, ele tem a ver com a mistura que a banda se propõe a fazer: trazer uma sonoridade de fora (como o nome em inglês phaser) e dar uma roupagem própria e brasileira (mudança para Feizer).
PP - Como são elaboradas as composições?
BF - A banda tem um processo bem particular. Parte das composições são feitas por Igor (oito composições do primeiro disco) e parte por Alan (quatro músicas do disco). Eventualmente, Felipe contribui com suas criações, como no caso da música De Braços Dados, feita em parceria com Igor. O primeiro disco do Feizer soma um total de 12 músicas. Os arranjos foram criados de maneira coletiva, com contribuições mais ativas de Igor e Felipe. As produções ficaram a cargo de Ray-Z, que contou com o auxílio de toda a banda.
PP - Como é a aceitação de fazer hard rock em português?
BF - Bem, na verdade, é com intenções provocativas que denominarmos nosso estilo como Hard Rock, pois no Brasil esse estilo tem um posicionamento meio que "caricato". A influência Hard é vista principalmente em trechos de nossas músicas, que levam um pouco mais de peso. No entanto, temos sempre tentado trazer influências de outras vertentes e incorporado sonoridades mais modernas. A aceitação pelas pessoas parece se dar principalmente nesse ponto: pelo fato de procurarmos trazer o conceito “oitentista” dentro de uma roupagem renovada.

PP - O vocalista Allan tem em seu currículo participações em importantes produções musicais em Porto Alegre, Rio e São Paulo, entre elas o Acústico MTV, Rock Fest, Trilhas do Prata e Planeta Atlântida...
BF - Durante alguns anos, Alan trabalhou na estrada e percorreu muitas cidades, executando técnica e direção de palco para diversos artistas do sul e sudeste. Fez parte da equipe de palco e atendeu todos os artistas do Acústico MTV Bandas Gaúchas. Pelo Rock Fest trabalhou exclusivamente para uma banda de sucesso nacional, fazendo show nas casas Credicard Hall SP, Claro Hall RJ e Curitiba, finalizando a mini tour em Porto Alegre, no Bar Opinião. Trilhas do Prata foi um projeto que contou com o apoio do Fum Pro Art, trabalho este muito importante, pois foi nele que conheceu Heloisa Peres, pessoa responsável pela direção artística do projeto. Em parceria com ela, o Feizer fez um projeto para o Fum Pro Arte, conseguindo o apoio da Prefeitura de Porto Alegre para a finalização, tiragem de cópias, masterização e festa de lançamento de seu disco - uma vitória conquistada no dia 10 de novembro de 2007. O trabalho no Planeta Atlantida RS também foi muito importante. Em todos esses trabalhos, Alan pôde iniciar um contato com pessoas do ramo. Na estrada conheceu um futuro amigo de Porto Alegre, Rafael Hauck, que trabalhava no monitor da banda Comunidade Ninjítsu e que, mais tarde, viria a ser o nosso baixista. Em seu estúdio, iniciamos as gravações do nosso disco, bem como a sua pré-produção
PP- A sonoridade do grupo é bem atual. Quais as principais influências?
BF- As principais influências se dividem entre o Hard Rock dos anos oitenta, e grandes bandas de rock clássicas e atuais. No primeiro caso, temos Bon Jovi, Guns n’Roses, Van Halen e Aerosmith. No segundo, as influências vão desde U2 e Foo Fighters, até The Killers e Snow Patrol.
PP-Quais as principais combinações de pedais e efeitos usadas nas guitarras de Igor e Felipe?
BF- Primamos sempre pela simplicidade. Nas guitarras de Igor, as principais combinações são pedais BOSS de Sampler Delay (DSD-2), Tuner (TU-2), Equalizer (GE-7), Distortion (DS-1) e um Wah Wah Cry-Baby. Nas guitarras de Felipe, a configuração fica a cargo de um Marshall Jackhammer (JH-1), um BOSS Equalizer (GE-7) e um Wah Wah da Vox.
PP-E sobre a configuração da bateria de Pedro Abreu? Existe alguma afinação ou truque especial?
BF- Pedro utiliza atualmente uma bateria Pearl Export Old Series, com ataques Sabian HHX, condução e chipô Paiste e chinas Stagg. Na realidade, o truque está nas peças bem afinadas e uma caixa especial Pearl Signature Dennis Chambers.
PP- Como foi o trabalho de pré-produção? Quanto tempo durou?
BF- O trabalho de pré-produção foi coordenado pelo músico e produtor Ray-Z. Trabalhámos intensivamente durante dois meses no estúdio particular de Rafael Hauck. O esforço valeu a pena, pois possibilitou uma renovação de nossas composições e arranjos.
PP- E sobre a gravação e mixagem? Quais foram os equipamentos e critérios utilizados por vocês?
BF- A banda é extremamente independente. O disco começou a ser gravado em um estúdio particular de Porto Alegre em alta definição. Os equipamentos utilizados foram: bateria Odery com caixa Pearl Signature Dennis Chambers e outra caixa DW; guitarras Gibson Custom, Gibson Standard, Gibson Explorer, Rickenbacker, Fender Strato American Standard e Traditional, ligadas a uma cabeça Laney GH 100L (com caixas Laney 4x12) e um amp Marshall JCM 800; e baixo Fender Jazz Bass, ligado a um pré-amp Avalon. Para captação e operação foi utilizada uma mesa MCI 79 Sony, e microfonação passando pelos conversores Apogee. É preciso ressaltar o mérito do nosso ex-baixista Rafael Hauck, hoje técnico e produtor de áudio em Londres. Ele nos proporcionou uma qualidade de captação que não esperávamos e salas muito bem projetadas, que fizeram diferença. A segunda parte das gravações foi feita no estúdio Tech Audio, em Porto Alegre, onde conseguimos manter o mesmo padrão de qualidade anterior. Além disso, o trabalho do produtor musical Ray-Z foi de estrema importância em todo processo. Ele esteve presente desde a pré-produção até a finalização do disco, nos guiando em todos os passos. O principal critério atendido pela banda, técnicos e produção era de que deveríamos encontrar um som hard mais contemporâneo, procurando inovar o antigo estilo para uma sonoridade mais atual.
PP- Porque a opção de masterizar no Classic Master em SP, já que vocês são do sul do Brasil?
BF- Escolhemos o Classic por ser referência em ótimas produções nacionais. Havíamos tomado o conhecimento do Magic Master e houve gente que disse que seria até melhor para o nosso estilo fazermos lá, por ter uma referência mais rock. Mas, para este primeiro disco, achámos que seria mais interessante manter um trabalho dentro do padrão de grandes músicos nacionais. Além disso, nosso produtor musical, Ray-Z, já finalizou diversos discos pela Classic Master e nos sentimos mais a vontade com isso. Temos certeza de que o nosso produtor voltará de SP com uma excelente finalização.
PP- Como vocês descobriram o Palco Principal? Qual a opinião da Feizer sobre o projecto?
BF- Foi por meio do Maurício Barca, músico e radialista, que conhecemos fazendo uma entrevista para a NoCabo e com quem até hoje mantemos um laço de amizade muito bacana. Gostamos muito do projeto do Palco Principal por diversos motivos. Primeiro, o layout da página é de muito bom gosto e isso nos agradou muito. Segundo, a possibilidade de colocar mais músicas que o MySpace é também um atrativo ótimo. Terceiro, o blog é muito bem feito e as noticias de shows e novidades de bandas são bem colocadas. Isso sem falar que o site possui versões para outros países, contribuindo para conexão da música pelo mundo. Ou seja, os músicos e fãs podem trocar idéias com vários artistas mundo a fora com uma interface atrativa e mais próxima do público. Queremos sempre estar presentes e poder promover o Palco Principal, pois somos movidos por pessoas que acreditam em nosso trabalho e sempre procuramos fazer o mesmo por elas.
PP-Qual a opinião da banda Feizer sobre a distribuição digital de músicas como acontece no Palco Principal?
BF- Achamos que esse é um ponto do qual não temos como fugir. Temos que entender que o mercado da música deve estar pronto para novas formas de contato com o público e que, cada vez mais, o músico terá de encontrar outras formas de receber o que é seu por direito. Não somos a favor da pirataria lucrativa, pois as pessoas que fazem parte deste processo ganham dinheiro às custas do músico, enquanto impossibilitam o surgimento de novos artistas pelas gravadoras. Por outro lado, somos a favor da utilização da internet como forma de divulgação do trabalho artístico, como é o caso da distribuição digital de músicas feita pelo Palco Principal. Entendemos que entramos em uma nova era de contato entre pessoas e a internet deve ser vista como uma forma de ampliar os horizontes do músico, não como algo que simplesmente está reduzindo seus rendimentos vindos da venda de CDs. Os shows tendem a ser, cada vez mais, a forma do músico se sustentar, mas outras maneiras devem ser encontradas, como publicidade e outras coisas. Os CDs ainda vão durar algum tempo, pois há pessoas que gostam do material em meio físico e de toda a produção gráfica que isso envolve. A opção do SMD (semi metalic disc) é boa alternativa, pois dá maiores possibilidades a essa parte visual. Assim, independente do prazo de validade do sistema CD, os músicos têm que se adaptar a novas mídias, novas tecnologias e criar novas formas de receber seus recursos.
PP- Vocês vão lançar, também, uma parte do trabalho em SMD. Porquê?
BF- Na realidade pensamos em lançar todo o nosso material em SMD. Ele é feito de um tipo de cromo, que é mais ecológico e foge do tradicional. Além de uma melhor relação com o meio-ambiente, o SMD é muito interessante porque as pessoas podem adquirir os CDs com um custo muito menor e há diversas opções para conteúdo do encarte. Por exemplo, com fotos, pôster, história, etc. Tudo de uma maneira mais livre, para você poder jogar com a criatividade.
PP- Quais os novos planos e shows da Feizer?
BF-Temos datas marcadas em Porto Alegre para Junho e Julho. A agenda pode ser conferida no nosso perfil aqui do site Palco Principal. Esperamos, também, começar a divulgar nosso trabalho pelo interior do estado no próximo semestre e, se possível, partimos para alguns shows no resto do país. Além disso, com a finalização do disco, faremos uma festa de lançamento, para dar um marco inicial ao processo de divulgação. Enquanto isso, novas músicas e arranjos estão surgindo. Somando as idéias musicais, já possuímos um EP para trabalhar em cima. Mas isso ainda vai demorar um pouco. Agora chegou a hora de colocar o pé na estrada e divulgar o nosso trabalho.