Jorge Pescara em entrevista: inusitados graves que atravessam oceanos!

22.06.2009 - 04:06

Brasileiro e paulista, o músico Jorge Pescara já navegou por muitos mares com os graves de seus instrumentos, sempre procurando a difícil tarefa de achar novos caminhos na música.

            

Atualmente, ele reside na cidade de Lisboa, em Portugal, e foi de lá que respondeu a algumas questões sobre como é ser músico e viver na terra de nossos descobridores.            

Além disso, Jorge, que originalmente foi um dos mais solicitados contrabaixistas no Brasil, conta como descobriu a sonoridade e o prazer de tocar novos instrumentos, como o Stick e o Megatar.            

A sua página no Palco Principal é dedicada à sonoridade destes instrumentos de tapping. Esta e muitas outras curiosidades ele revela aqui para a equipe do Palco Principal Brasil.

Palco Principal - Você é paulista, morou muito tempo no RJ e, agora, está residindo em Lisboa, Portugal. Como é morar e viver da música aí?

Jorge Pescara – Morar aqui te traz uma qualidade de vida que o Brasil ainda não pode oferecer! Em relação à música em si, vejo algumas diferenças com o tratamento que se têm pelo artista. Todos que vivem de arte na Europa são vistos como verdadeiramente são, ou seja, pilares de uma sociedade que se diz culta e vanguardista. Melhores cachês por seu trabalho também são um diferencial que substancia esta resposta. A música em si tem paralelos e diferenças. Aqui se tem a cena mais tradicional, que é o fado, comparativamente ao movimento do choro carioca. Há o rock, pop, cuban music, jazz tradicional e o fusion, mas é nas tradições mais fortes e puras africanas e hindustânicas que se abre um leque que não vi no Brasil. No Brasil ainda somos muito presos apenas à forma americana de música, mas aqui na Europa se tem mais liberdade para ousar, sair do lugar comum, exercer o direito de evoluir estilística, técnica e conceitualmente. Claro que não estou afirmando que todos devam ser obrigados a sair dos padrões, mas por outro lado, não tenho que ficar tocando walking bass em temas do Real Book a vida toda com a mesma formação guitarra, baixo, bateria! Há um mundo aberto para se descobrir fora do compartimento fechado, que é passar a vida em um só estilo musical. A Europa é bem mais aberta, porque, além do jazz, há misturas com os folclores locais de cada povo... A música é bem mais aberta. O próprio jazz aqui é diferente do americano e isto me renova, já que me sentia cansado das mesmas coisas de sempre!

PP - Como você poderia comparar a música e os músicos destes três lugares?

JP - São Paulo tem uma música mais rígida, estruturalmente. Exige-se muito da perfeição metronômica e isto, às vezes, deixa os arranjos com um swing relativamente frio. O Metal espalhou-se melhor em São Paulo por causa desta característica. Por isso, também, o samba paulista parece-se mais com um choro do que samba. O fusion de lá se parece muito com a produzida na Califórnia. Já o Rio é mais solto, o sangue mais quente e, por isso, esta malemolência deixa as músicas mais leves e swingadas. O carioca abraçou desde sempre a black music, a Motown... E o samba produzido pelo carioca é bem característico. Claro que há metal no Rio como há black music em Sampa, mas em proporções invertidas e soam diferentes entre si. De um modo geral, há dificuldade no carioca em tocar coisas mais rígidas. Aqui em Lisboa, a cena é forte para vários estilos também, mas conceitualmente, embora eles possam não ter o swing que nós temos, conseguem digerir bem e aceitar que se instale este mesmo swing em estilos diversificados. Aqui também há uma cena interessante, no sentido de que você encontra um violoncelista que usa efeitos, ou uma harpa com processadores de efeito, percussionistas africanos, cubanos, egípcios, marroquinos e árabes, citaristas, enfim, há uma enorme gama de possibilidades para quem quer misturar sons, instrumentos exóticos e influências diversas. Mas veja, isto é uma opinião particular e individual.

PP - O respeito e a seriedade com o músico na Europa são maiores que no Brasil?

JP – Com o músico em geral, sim. Mas isto me leva a dissertar sobre outra temática. Ás vezes, sinto um pouco de constrangimento quando vejo que o problema da falta de compromisso de nós, brasileiros, faz com que os europeus, na maioria das vezes, pensem que todo e qualquer brasileiro chega atrasado de antemão, ou falta, ou... Bom, é preciso que, de uma vez por todas, nós, brasileiros, tenhamos consciência de que a história é outra. Sempre que ouço falar aquele ditado: “a música brasileira é vista como tesouro lá fora!”, fico de cabelos em pé... Acontece que este lema foi levado a cabo por artistas, como Luis Bonfá, Tom Jobim, Eumir Deodato, Airto e Flora Purim, Sérgio Mendes, Dom Um Romão, Azymuth, e depois por Elis Regina, Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ithamara Koorax. Hoje temos o rock do Sepultura, Angra e Dr Sin que se vê em qualquer loja de discos e em revistas musicais de qualquer continente, e todos são merecedores disto. Mas daí a afirmar que, só porque se é brasileiro, qualquer um faz sucesso fora, é mentira! A boa música brasileira é aceite, a ruim... Não podemos continuar a deixar a coisa correr frouxa, temos que ter responsabilidades, horários, compromisso. Ler partitura sem preguiça, cumprir horários, etc. Por outro lado, há muita gente do sertanejo, axé e pagode comercial que faz shows para as colônias de brasileiros que vivem em diversos países, mas os habitantes locais acham aquilo tudo ‘exótico’ e ‘engraçadinho’, mas não se considera uma unanimidade, pelo contrário! Há muita, mas muita, muita gente mundo afora que critica o que sai de música comercial do Brasil, para se apresentar em berços onde a boa música imperava antes, como é o caso do Festival de Montreux, que em tempos passados teve como noite brasileira Elis Regina (por exemplo), e hoje tem a música chula... Mas, isto é uma outra história...

PP - Você tem uma longa e importante trajetória com o baixo brasileiro. Depois acabou aventurando-se em outros instrumentos, como o Chapman Stick e, agora, o Mobius Megatar. Quais as diferenças de estudar cada um deles?

JP - O baixo é meu primeiro instrumento, então não há muito que dizer, mas o Chapman Stick é um instrumento ímpar. A começar pelas cordas, pois há dois grupos de cordas no mesmo braço. Os graves estão em quintas invertidas, onde a corda mais grossa e mais grave de todas está no centro do braço, subindo em quintas para o extremo superior. Já o grupo de cordas agudas vai em quartas justas normais. De tão próximas, as cordas ficam quase coladas no braço reto. O tapping assim é mais suave e fácil de executar. O instrumento deve ser tocado na posição inclinada, mas não dá pra ficar na horizontal como o baixo e a guitarra por causa do belt hook, ou seja, do gancho que se prende ao cinto do músico. A correia que passa pelo pescoço pode incomodar no começo, também. A saída é através de um cabo em “Y” com uma ponta estéreo plugada no Stick e duas pontas mono, que se enviam para amplificadores distintos. O Megatar Toneweaver, que é o modelo que possuo, tem os trastes em diagonal, o que faz com que os graves tenham uma extensão maior e assim melhorem a afinação, mas em compensação a abertura dos dedos tem de ser maior nesta parte do braço. Aliás, o braço é extremamente largo e não há tanta facilidade em digitar, mas a sonoridade é maravilhosa. Muito superior ao Stick. É um instrumento que, teoricamente, poderia ficar mais na horizontal também, mas, por conta da largura do braço, composições dos trastes, etc, acaba por ter que permanecer na vertical a maior parte do tempo, senão pode prejudicar os pulsos e tendões. É preciso atenção neste ponto. O meu modelo possui o diferencial de ter uma chave seletora para a saída em estéreo ou mono, assim posso optar por endereçar dois cabos para amps e efeitos diferentes ou tudo num cabo só em mono. Também há um captador GK2a nas cordas agudas, se eu quiser timbres sintetizados muito mais exóticos!

PP -  Quais as principais diferenças musicais e técnicas entre Stick e Megatar? Quem são os maiores nomes destes instrumentos?

JP - Vou citar as diferenças do ponto de vista do meu Megatar, que é um dos modelos mais avançados, e do Stick, que tive há alguns anos atrás...  O Stick é mais leve, tem uma sonoridade mais ‘rascante’, opaca e crua, por conta dos pickups de alnico, um braço estreito, usa uma correia que se prende ao pescoço e um gancho para ser preso ao cinto (torna-se obrigatório o uso de um cinto), porém pode-se usar na posição vertical ou diagonal em relação ao eixo do corpo. É extremamente leve e pratico.O Megatar é maior, um pouco mais pesado, tem o braço largo e os trastes em diagonal, como já disse, mas usa uma correia comum. A afinação é muito mais precisa, pois há um sistema que mantém o braço firme, além de um ajuste diferente nas oitavas, de forma que as notas se mantenham afinadas em toda a extensão do braço. Os maiores nomes do Stick são: Tony Levin, Guillermo Cides, Greg Howard, Trey Gunn (agora um adepto do Warr guitars), etc. O Megatar é um instrumento recente. Possui alguns endorsee’s, mas, por conta do pouco tempo, ainda não tem um expoente internacionalmente conhecido. Embora todos os endorsees sejam extremamente virtuoses, como Jan Laurenz da Suíça, o que posso citar de mais conhecido no meio do tapping é Daniel Schell. Há muita informação no site www.megatar.com e os endorsee’s estão no link ‘songs’ do site.

PP - É preciso algum tipo de amplificação especial para se tocar Megatar e Stick? Quais os principais efeitos que utiliza neles?

JP - Eu não diria especial, mas temos que ter uma opção bem definida. Como o instrumento é estéreo, ou seja, saem dois cabos - um para cada grupo de cordas - podemos endereçar as seis cordas graves para um amp de baixo e as seis agudas para um amp de guitarra ou teclado. Também se pode usar um amp só, com uma caixa que cubra todas as freqüências graves, médias e agudas ou mesmo usar uma mesa de som para endereçar os canais separados. Outra opção, como no meu caso, é usar um power amp estereo e ligar cada grupo de cordas em um canal distinto (left & right). Este power que uso é um StudioR Z900, que é poderoso, leve e tem uma sonoridade cristalina. Ainda estou decidindo qual a configuração de caixas usar. Assim se pode usar efeitos separados, compressão, etc...No quesito efeitos, eu costumava usar um Roland VG8 nas cordas agudas, mas este equipamento era muito grande pra carregar e, como aqui tudo é 220v (meu VG8 era 110v), resolvi me desfazer dele antes da vinda. Para os graves, uso um simulador da Toneworks com efeitos, caixas e amplificadores, além de ter um ótimo preamp embutido. Já nos agudos atualmente uso o Zoom G2.1u e o Line6 FM4 para obter os sons inusitados. Gosto também de usar EBow, bottleneck, plectro, funk fingers e até um arco de contrabaixo para extrair sons exóticos no Megatar.

PP - Você ainda toca o baixo? Com quem foram as suas principais gigs e apresentações?

JP - Creio que o que produzi em termos artísticos até hoje, devo ao baixo elétrico. Toquei e/ou gravei com nomes de peso, tais como Dom Um Romão, Luis Bonfá, Ithamara Koorax, Eumir Deodato, Celso Fonseca, Roberto Menescal, Thiago de Mello, Arthur Maia, ZERO, Jadir de Castro, Preta Gil, Cláudio Zoli, Pingarilho, Angélica, Jair Rodrigues, José Roberto Bertrami, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Ney Matogrosso e por aí. Amo tocar este instrumento, mas não agüentava mais a jaula de ver o mercado brasileiro obrigar a todos a tocar igual ao fulano ou ciclano. Sempre busquei minha própria identidade e isto tem um preço. O mercado brasileiro parace fugir de vozes com identidade... se você é baixista no Brasil e não toca exatamente igual ao Pastorius, ou Miller, então você não presta. Isto é um (pré)conceito. O pior é que este preconceito é velado, pois não te dizem isto claramente. Mas as ações e palavras de todos nós, músicos brasileiros, já diz que se deve tocar assim ou assado de antemão. Quando você deseja mudar as regras, colocando um Stick, ou usando uma distorção no baixo, ou os funk fingers nos dedos, 99% das pessoas torcem o nariz ‘puritanamente’ como se a música fosse algo de propriedade particular e fechada. Isto me levou a buscar sonoridades mais inusitadas mesmo contra a vontade de muitos, pois não gosto quando me dizem “isto não pode ser assim!”. Não há o que não se possa fazer na música. Se eu quero assim, será assim! Foi aí que me dei bem com o produtor Arnaldo DeSouteiro, Dom Um Romão e Ithamara Koorax, que sempre me permitiram expressar a sonoridade que eu desejava. Pretendo seguir explorando o baixo elétrico aqui na Europa, mesmo porque é um instrumento que amo... tenho mesmo que terminar meu segundo disco solo de baixo em breve.

PP - Na faixa Caliente você usa o Megatar e cria uma interessante sonoridade world music. Qual é o efeito usado nele?

JP - Esta música eu gravei no disco do baterista Sallaberry, e traz o Sandro Haick na guitarra. É uma composição conjunta. O groove é, na verdade, uma mistura de som montuno abrasileirado. Toquei a harmonia na mão direita, usando o VG8 para dar a cama com ar synth e muita compressão no canal dos graves. Quem ouve, pensa que há um teclado cobrindo os patches... o carater world music sempre está presente em minha música, pois faço muitas misturas nos grooves. Não sou do tipo de tocar um samba exatamente como na tradição. Não que não possa fazê-lo, mas prefiro a fusão de estilos. Por isso, quando toco jazz com Ithamara Koorax, soa diferente o walking, etc. O primeiro solo de Caliente (exemplificado no áudio) é de Megatar e fiz usando o Zoom G2.1u, que é meu pedal preferido atualmente para melodias. O segundo solo é mais infernal e radical e foi o Sandro quem gravou... O cara é um monstro em todos os instrumentos que toca! Note-se que a bateria do Sallaberry mostra ghost notes executadas com maestria.

 


PP - São nítidas as influencias africanas em seu som, como em Meteor, onde você usa o Megatar e em Landscape, onde você usa o Stick. De onde surgem essas inspirações?

JP - Gosto de tocar grooves mântricos que se repetem, proporcionando uma cama sonora para melodias e contrapontos. Não uso muito pentatônicas, então meu pé na afro music pára por aí. De qualquer modo, minhas composições são mais centradas nas texturas do que na melodia acompanhada, coisa que em minha opinião já está por demais explorada... Então, acho natural que tenha como base a música africana. Em Meteor, uma composição de Stick do meu CD solo 'Grooves in the Temple', resolvi regravá-la com Megatar e adicionar um ar mais moderno. As percussões africanas e o coro firmaram a identidade do estilo. Já Landscape, composição do baterista Luis Bertoni, é uma versão instrumental, pois o tema foi gravado originalmente para o disco solo dele. Usei Stick, com a percussão do Laudir de Oliveira, a guitarra do André Sachs e a bateria do Bertoni. Nesta faixa não pensamos, realmente, em nada afro, mas todos concordaram que o groove deveria ser ‘global’, sem uma casa definida. Nada de tocar um samba, ou montuno, ou R&B declarado! Misturar e deixar o ouvinte decidir o que deseja, foi o que fizemos. 

 


PP - Em Pangea, Mu, Lemúria e Atlântida você resgatou uma sonoridade de Weather Report com o Megatar. Quem foram os grupos fusion mais marcantes que você já ouviu?

JP -  Weather, com certeza, mas também Azymuth, Opa, Brand X, Mick Karn, Eumir Deodato, e os mais progressivos dos grupos fusion, Genesis, Yes e King Crimson (ou seriam os mais fusion dos grupos progressivos?)! 

PP - Já em Viúva Negra  há, mais uma vez, um bom clima fusion com o Chapman Stick. A técnica que você usa é bem detalhista e sofisticada. Como estuda este tipo de coisas?

JP - Esta é, como disse Cláudio Infante (quem gravou a bateria), cabo-verdiana. É um clássico do Eumir Deodato. Na gravação original do Eumir, nos anos 70, tinha o Tony Levin no Stick, daí resolvi assumir o groove e os acordes que seriam da guitarra. Fiz um arranjo, usando um naipe com fluggelhorn, trompa, fagote, oboé, coisa inusitada. O Laudir De Olivera fez a percussão e o próprio Eumir elogiou o resultado. Neste caso, não penso em estudar algo específico. Uso a intuição e a musicalidade, deixando o conhecimento um pouco de lado pra soar mais natural. Mas, quando estudo tapping, procuro montar um repertório porque, com isto, abranjo coisas.  Trechos de escalas, arpejos, passagens com ritmos complexos: tudo está lá nas composições que se estuda para repertório. É mais uma questão de adaptação ao novo instrumento do que começar do zero, propriamente dito.

PP - Você também tem apoio de muitas marcas e produtos. Quais são seus critérios para aceitar um patrocínio?

JP - Primeiro, que o equipamento me proporcione o que desejo em termos de praticidade e sonoridade. Segundo, que seja um projeto sério, envolvendo a imagem do artista somado ao equipamento que ele usa. Por isso, sou fiel às marcas que uso, e, por isso, fico muito tempo com as marcas. Sou endorsee da StudioR (www.studior.com.br) e uso seus power amps, por exemplo, desde 1996! Minhas cordas são Elixir (www.elixirstrings-americalatina.com) e misturo jogos de cordas de guitarra .009 com as de baixo de seis no Megatar. No final de um show do grupo de rock ZERO, que fiz em São Paulo há alguns anos atrás, estava o representante da WLGore, fabricante das cordas Elixir® e me convidou para conversarmos a respeito do seu produto. Desde então, sou endorsee desta marca. O Megatar (www.megatar.com) é um patrocínio que me veio através do próprio Traktor Topaz, que me enviou o instrumento. O Powerclick (www.powerclick.com.br) é sistema muito prático e perfeito para ser usado em palco, ensaio, gravação ou mesmo ao se estudar. O Kika, diretor da Powerclick acertou em cheio quando lançou estes produtos no mercado brasileiro. Já o baixo elétrico é um caso a parte. Desde que rescindi contrato com meu antigo patrocinador, com quem estava há muitos anos, fiquei um tempo negociando com a baixos D’Alegria (www.dalegria.com) e, então, desenvolvemos meu próprio modelo, baseado em um jazz bass, mas com algumas modificações no circuito ativo, Tonechaser, e no shape. Ali os knobs de graves, médios e agudos, são em tamanho miniatura, e coube perfeitamente os controles de volume e pan, além duas chaves de seleção, sendo uma para os pickups ativo passivos, e a outra para selecionar o corte dos agudos em 4.5 ou 7Khz. Pode optar-se em ligar 9v ou 18v (duas baterias) para maior headroom em gravações. O baixo foi pintado em verde Kawasaki, igual ao das motos japonesas, e os pickups são ToneChaser TC-SBP, single coil, com capas de madeira (Jatobá), tingidas de branco.

PP - Sua página no Palco Principal é dedicada exclusivamente ao Megatar. Conte-nos um pouco de seu fascínio por esse instrumento exótico.

JP – Ao Megatar, mas também ao Stick e algum outro instrumento de tapping que eu possa vir a tocar...  É estranho pensar nisto agora, mas eu não conhecia muito sobre o Megatar até uns dois ou três anos atrás. Quando o Traktor Topaz me enviou o primeiro e-mail, eu ainda estava com o Stick e logo começámos a nos entender em relação as minhas dúvidas, pois ele detalhou sua criação de forma clara e objetiva, traçando as diferenças entre o Megatar e o Stick. Traktor tem uma maneira objetiva de explicar e é autor de três excelentes livros de tapping, além de produzir o Megatar em sua empresa Mobius. A partir daí, me interessei em pesquisar mais sobre o Megatar. Daí, logo já fui convidado a ser o endorsse brasileiro da Mobius Megatar. Sempre acreditei que o músico é aquilo que ouve, ou seja, se ouve boa música, fará boa música. Mas, além disso, também sei que o instrumentista que fica preso ao seu instrumento fica com a visão fechada. Meu produtor e guru artístico, Arnaldo DeSouteiro, definiu-me como um artista que, por acaso, usa o baixo como forma de expressão. Ou seja, não sou baixista, sou músico, artista! Então revivi meus anos de estudos, quando tive matérias de instrumento complementar com piano e cello e ousei entrar neste mundo de tapping, mas para além dos grooves. Também voltei a experimentar algumas coisas no teclado. Faz um bem imenso...

PP - Deixe alguns conselhos aos internautas do Palco Principal que queiram abrir caminhos inusitados na música como você.

JP - Agradeço ao Palco Principal e diria não tenham medo de ousar, de quebrar paradigmas e permitam-se experimentar novos caminhos artísticos. A técnica e a arte musical devem andar de braços dados, mas nunca uma sobrepujando a outra. O músico verdadeiro deve ser livre de preconceitos e comparações, e deve viver uma vida plena, em busca de renovações exteriores e interiores, para sempre se manter ativo e inspirado. Estudar 24hs por dia pode até te tornar o mais veloz instrumentista do mundo, mas bom gosto, musicalidade e coerência não se obtêm daí. Afinal, técnica fria de 300 slaps por segundo, um chimpanzé também aprende, mas quero vê-lo criar arranjos e temas com sensibilidade e visão artística! Estude, mas também ame, contemple, medite, visualize... Vive tua vida! Ah, e também se lembrem de deixar o ego em casa ao sair... Toda e qualquer nota tocada ao Deus de Tua Compreensão. Paz!

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